Presidente do Cuiabá aponta desequilíbrio financeiro na Série B e defende redução dos salários
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, fez um alerta sobre a situação financeira dos clubes que disputam a Série B do Campeonato Brasileiro. Em entrevista exclusiva à Rádio CBN Goiânia, no programa CBN Mais Esportes, neste último sábado (22), sob apresentação de Alex Rodrigues, o dirigente afirmou que a competição vive um cenário de desequilíbrio entre receitas e despesas e revelou que mais da metade dos clubes da segunda divisão está com salários atrasados.
Presidente do Cuiabá critica gastos e pede redução dos salários na Série B

Foto: AssCom Dourado
Segundo Dresch, o problema está relacionado principalmente ao alto custo dos elencos diante da capacidade de arrecadação dos clubes. O presidente do Cuiabá afirmou que as receitas garantidas pela competição não são suficientes para acompanhar os gastos e citou a folha salarial como um dos principais fatores.
A Série B é uma competição que está totalmente desajustada financeiramente. As arrecadações dos clubes são muito inferiores ao que os clubes gastam – afirmou.
Dresch explicou que os clubes recebem, em média, entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões pelos direitos de transmissão, além das receitas com patrocínios e sócios-torcedores. Na avaliação dele, a arrecadação anual pode variar de aproximadamente R$ 25 milhões a R$ 70 milhões, dependendo da capacidade de cada equipe.
O dirigente utilizou como exemplo uma equipe que tenha uma folha de R$ 3 milhões mensais apenas com jogadores. Somando outras despesas, o custo pode chegar a cerca de R$ 5 milhões por mês, o que representaria aproximadamente R$ 60 milhões ao longo de uma temporada.
A arrecadação da maioria dos clubes da Série B não chega nem a R$ 40, R$ 50 milhões por ano. Então, você tem uma competição deficitária – disse.
O presidente também revelou que o Cuiabá está operando no vermelho nesta temporada. Segundo ele, o clube ainda não recebeu recursos de um investidor e precisou fazer ajustes financeiros para montar o elenco.
O Cuiabá esse ano não teve dinheiro ainda de investidor. Então, a gente está operando no vermelho. O caso do Goiás é a mesma coisa – declarou.
Diante desse cenário, Dresch defendeu uma redução significativa dos salários praticados na segunda divisão. Para ele, os vencimentos dos principais jogadores precisam ser compatíveis com a realidade financeira dos clubes.
Jogador de Série B tem que ganhar, no máximo, R$ 150 mil, e não até R$ 400 mil, como a gente tem hoje alguns clubes pagando na Série B, até mais de R$ 400 mil – afirmou.
O dirigente ainda relacionou o desequilíbrio financeiro aos recorrentes problemas de salários atrasados e ao crescimento das dívidas dos clubes. Segundo Dresch, a situação tem provocado um aumento dos passivos e colocado várias equipes em situação crítica.
Hoje a gente tem mais da metade dos clubes da Série B com salário atrasado, os clubes aumentando seus passivos, entrando em situações críticas, e a gente precisa, o mais rápido possível, reduzir o salário da Série B – completou.
Dresch também lembrou que o Cuiabá esteve entre os clubes que pressionaram pela criação de mecanismos de fair play financeiro no futebol brasileiro. Segundo ele, parte das novas regras já começou a valer nesta temporada.
